Wish of Happiness

"Não há nada mais triste do que esse céu visto pela minha janela; tão vazio quanto você ou eu. O amanhecer segue o seu curso enquanto continuo sem saber como calar o grito em meu peito que implora por você, que não vem nunca. Que não vai vir nunca.
Me deitei e essa cama me pareceu tão grande. E esse quarto, essa casa, esse mundo inteiro me pareceu tão enorme… E eu sou tão pequena. Foi como se tudo tentasse me mostrar o quão ínfima sou quando comparada ao restante. Os travesseiros e lençóis estão espalhados pelo quarto, o maço de cigarros está vazio, a certeza de que nos perdemos novamente se materializa. E dessa vez já não sei como tentar. Então eu enlouqueço porque sempre destruo tudo aquilo que toco e é como se a desgraça fosse a única que ainda insiste em me acompanhar. Todo o resto foi embora e eu choro sozinha no escuro porque você nunca quis as minhas lágrimas, nunca soube lidar com elas; mas as causa. E eu me odeio porque digo que desisto mas permaneço esperando e esperando por um sinal; é como se uma só palavra tua refizesse tudo e me fizesse aguentar mais uma noite como essa, que parece ser eterna… As horas não passam enquanto seus olhos me fitam na fotografia."
- Lilian Alves, Relatos de uma noite qualquer. (via cordialmente)

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- Os morangos estão morrendo. - Ela disse. E o rosto tão triste, tão devastado e verdadeiramente sofrido pelos morangos que eu fingi não entender.

- O quê?

- Os morangos, Carlos, estão morrendo.

E o rosto comido por dores inexistentes, tpm fora de época, pílulas e cigarros e amores acabados. E tudo, tudo era um motivo triste.

Eu fui sensível o suficiente para entender e não debochar de sua dor. Frase proibida, escrita à lápis no nosso manual-de-vida-básica: “Nunca dizer: Essas coisas acontecem, é natural” ou “Bobagem, não fique assim”. Auto-ajuda e mantras também ficavam cuidadosamente do lado de fora de casa e sofríamos de-li-be-ra-da-men-te. Assim, dessa forma esticada e sem pressa porque “Há muito sofrimento no mundo, Carlos. E nosso papel é chorar por aqueles que não podem.”

- Podemos cantar uma música fúnebre ou então rezar alguma prece. O que você acha?

- Qual música?

- Eu não sei. Moon River me lembra você.

- Strawberry fields forever faz mais sentido.

- É verdade. Mas eu só sei o refrão (…) Nós também poderíamos entrar e ouvir Frank Sinatra. Tomar vinho e fumar. Conversar sobre o mundo…

- Mundo? É muito vago, Carlos. Mas eu gostaria de chá.

- Qual chá?

- Cidra. Porque me acalma.

E ela foi na frente. Pálida e fraca, sustentando dores universais em seus ombros pequenos. Cantarolando Nico e entrando no segundo round com suas franjas teimosas e loiras.
Trazia o colo e as mãos ensanguentadas. Os pingos rubis marcando seus passos pela calçada cinza de negrito. E essa visão foi a minha profecia diante de seus olhos fundos de noites insones: esses seriam os primeiros de todos os morangos que iriam morrer. Uma cadeia vertiginosa que nunca estancaria.

Assim como Clara não escapava de sangrar todo mês.

- Você está muito bonita, Clara.

- E cheirando morango, Carlos.

- Claro. E cheirando morangos silvestres.

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"Ela chorou. Eu não pude fazer nada. Estávamos a quilômetros. E foi a coisa mais triste que já me aconteceu."
-  Querido John    (via maisumnasociedade)
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"O regador é só uma mentira de chuva que eu tenho de contar às flores todas as manhãs."
- Rita Apoena. (via queridaeu)

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"Sou confusa, sou bagunça. Sou a casa desarrumada, sou a roupa no varal, sou o cd arranhado que não querem mais ouvir, sou o mendigo na rua a procura de moedas e quem sabe achar uma vida, sou a bagunça de ser ordem. Sou o clichê em um corpo não habitado. Quero ser bagunça com você, te deixo cuidar de mim e colocar as roupas em ordem."
- Hélida Carvalho  (via maisumnasociedade)
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