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PÉTALAS


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Pétalas
Victória, 16.


21039

(Source: itcuddles)


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você não é tão especial assim
qualquer um pode inspirar poesia

a menina cheia de espinhas e corações no whatsapp
sentada ao lado
a de cabelo liso artificial e de careca latente
sentada a frente

aquele brasileiro meio esnobe de inglês com sotaque
exibindo o estádio inacabado do palmeiras
pra gringa de olhos bonitos e escuros
com sotaque ainda mais óbvio

o cara que gritou por cinco minutos no centro da cidade
e que quando eu virei só perguntou
posso te conhecer?
ou a dona da loja de lençóis que disse que não viu
violência policial terça-feira

- quando alguém te tira tudo que tens, em prol de alguém que tem muito mais e seguros que o assegurem, não é violência?-

você não é tão especial assim
até isso inspira poesia

donos de bares
agentes da CET
pessoas que escrevem agente
quando tentavam dizer
nós
a racista gremista recém-transformada em joana d’arc
políticos
matemáticos
bombas nucleares
intelectuais
george w. bush com suas mãos manchadas de sangue

tudo e todos podem inspirar poesia
até minha vizinha que bate na filha
poderia inspirar um poema ou dois
provavelmente da filha

você não é especial
só não te escreverei mais poesias

na falta de calmantes, literatura

clara delfino


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untitled by Mafalda-Silva on Flickr.

untitled by Mafalda-Silva on Flickr.

(Source: cuprikorn)


21375 esquece tudo e vem passar comigo essa madrugada..

esquece tudo e vem passar comigo essa madrugada..

(Source: quantoestvita)


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Há uma solidão neste mundo tão grande que você pode vê-la no movimento lento dos ponteiros de um relógio. Pessoas tão cansadas. Mutiladas. Seja por amor ou por falta de amor. As pessoas simplesmente não são boas uma para as outra. Um em um. Os ricos não são bons para os ricos. Os pobres não são bons para os pobres. Estamos com medo. Nosso sistema educacional nos diz que todos nós podemos ser grandes vencedores. Ele não nos disse sobre os esgotos. Ou os suicídios. Ou o terror de uma pessoa em um só lugar. Sozinha. Intocada.
Charles Bukowski. 

(Source: poejos)


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9

bambeia:

daí que eu tava voltando pra casa agora, e ele estava sentado no chão, do lado de uma lixeira pública, dessas esverdeadas, cor de lixo pintado. ele comia alguma coisa, não sei o que, mexia um pouco com os dedos, um pouco lançado pra boca, um pouco lançado pro lixo, um pouco pra boca, um pouco pro lixo. não fui só eu que vi, mas não sei se o coração dos outros deu um nó, como o meu deu. não sei, não sei. eu tinha uma sandália na bolsa, custou vinte reais, acabei de comprar. vinte reais. faz quase um ano que não compro um calçado, e da última vez nem foi uma sandália. não é porque me falta o dinheiro, é porque me falta o motivo. meus pés se bastam, eu sei. eu poderia andar descalça a cada dia, eu sei.eles foram feitos para o chão, para a grama, para areia, para o mar, e não para sandálias martinez de vinte reais. mas hoje, talvez porque eram só vinte reais, porque o sapato me esquentava os pés, porque faz 35ºC em São Paulo, por causa daquele vestido, hoje paguei vinte reais nessa sandália. ao passar por esse cara, a sensação exata era que eu carregava uma cobra na bolsa, e que eu era a definição de incoerência. como eu, ser humano dotado de dois pés feitos pro chão, pro mar, pro céu, como eu que não preciso de sapatos, tinha dois pares comigo, um nos pés e um nas mãos, logo eu, ser humano que possui um corpo que padece de fome e uma alma que carece de amor, logo eu estava ali; e como ele, ser humano, dotado de dois pés feitos pro chão, e de um corpo que padece de fome, e de uma alma que carece de amor, como ele estava no chão comendo resto de resto de outro ser humano, com igual natureza? como estávamos ali? como é possível? o nó se mantém.

9 você me pediu pra escrever sem pensar e sem pensar só sei amor

bambeia:

são exatamente 04:00, do dia 04/04/2014, não posso pensar sobre o movimento dos meus dedos, não posso apagar, não posso hesitar. só ir. só, ir. dois mil e catorze e ainda nenhuma solução ou cura. dois mil e catorze e não há real saída pra se curar da solidão. mas não me sinto só, não nesse minuto, não nesse exato sorriso.
eu te amo
eu te amo
eu precisava parar pra dizer que te amo, porque sempre que não houver tempo pra pausas e hesitações eu direi assim, olhando pra espaço em branco que preencho (e deveriam ser seus olhos, e um dia serão): eu te amo, eu te amo, eu te amo.
ainda que o amor saia de moda, ainda que a verdade entre em extinção. que novos espaços em branco sejam criados pra separar pessoas, não importa, escreverei no ar, se preciso for: te amo, te amo, te amo.
ainda que o amor desista de nós, te amarei
assim como a certeza absoluta que nunca mais olharei o relógio e marcará como agora
04:04 de 04/04/04
há coincidências bonitas no mundo
e há beleza, se você procurar bem
eu deveria estar dormindo agora, mas não poderia sonhar com nada melhor que você, então aqui estou
sonhando

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Você sabe que eu nunca me atentei a nada, mas hoje andei na rua e te procurei por toda essa cidade cinza. Os olhos úmidos, os pés cansados: não te encontrei. Eu só queria abraçar teu corpo e tua poesia e fingir que fazemos sentido, que sempre fizemos. Fingiria que foi ontem que acordei e olhei o sol batendo no seu rosto, achei até que era um anjo. E era. E é. Só não me cuida mais.

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